Versão 1.0
Data de Publicação: 04.11.2025
O CNCS tem detetado um aumento muito significativo de incidentes envolvendo infostealers. Estes representam mais de 80% da atividade do tipo código malicioso (malware) observada no terceiro trimestre de 2025, com uma variante conhecida por Agent Tesla a representar um terço do total do código malicioso observado em 2024.
Os infostealers são um tipo de código malicioso desenvolvido para recolher dados sensíveis em dispositivos informáticos (p. ex. computadores, telemóveis), incluindo credenciais de acesso a contas pessoais ou profissionais (p. ex. credenciais de acesso a serviços de homebanking, serviços de governo eletrónico ou mesmo credenciais de acesso a contas profissionais), dados armazenados nos browsers (p. ex. cookies, tokens, histórico de navegação do utilizador), mas também emails e outros documentos.
Este tipo de código malicioso representa um desafio considerável, pois a sua utilização reduz significativamente o custo inicial de intrusão na infraestrutura da vítima para posterior realização de ataques mais rentáveis para o criminoso, como por exemplo o ransomware. Uma vez obtidas as credenciais de acesso a uma conta de uma potencial vítima, os atacantes não necessitam de utilizar outras metodologias de ataque, mais complexas ou morosas, para obterem o acesso inicial a um sistema.
Esta crescente ameaça é suportada por um vasto ecossistema comercial composto por fóruns online que operam como mercados. Aqui encontramos atores criminosos a venderem o acesso aos dados recolhidos por estes infostealers (Malware-as-a-service), bem como atores criminosos a curarem e venderem na darkweb os dados recolhidos por este malware.
É importante relembrar que os infostealers representam uma ameaça tanto para a vida pessoal do indivíduo cujo dispositivo informático se encontra infetado como para as organizações para quem este indivíduo trabalha e possui credenciais profissionais furtadas.
Acresce o facto da fronteira entre o risco individual e o risco para as organizações se ter diluído com a popularização do trabalho remoto. Neste contexto, alguns funcionários podem ser levados a utilizar os mesmos dispositivos tanto para o contexto profissional como para fins pessoais.
Todas as entidades públicas e privadas, em particular aquelas que facilitam o acesso remoto à suas redes e sistemas de informação, precisam estar cientes dos riscos associados aos infostealers e proteger-se contra esta ameaça que potencia outros ciberataques de maior impacto nas redes e sistemas de informação. As organizações afetadas por infostealers podem ser vítimas de ransomware, exflitração de dados, comprometimento de contas de email da organização, furto de propriedade intelectual e industrial e outras informações sensíveis.
Caso seja identificado a presença deste tipo de código malicioso, importa salientar que as entidades não se devem limitar a forçar a alteração das palavras-passe capturadas, pois os dispositivos eletrónicos podem ainda estar infetados com o infostealer.
[1] Refere-se aos métodos de autenticação que validam os utilizadores como humanos, distinguindo-os de bots, através a apresentação de um desafio simples a resolver ao utilizador.
Uma vez instalados no dispositivo eletrónico da vítima, os infostealers começam rapidamente a recolha de dados sensíveis para um servidor sob controlo dos atacantes sem que a vítima se aperceba, em particular os seguintes dados:
Os infostealers devem ser considerados como uma ameaça sistémica que requer uma vigilância permanente e a implementação de medidas preventivas por parte das entidades públicas e privadas e uma atenção especial por parte dos indivíduos em geral.
A. Recomendações para entidades: